06/05/2017

Os bilhetes que deixo no trem

Caro fiel leitor de meus bilhetes deixados nesse banco, nesta estação de trem... Eu sei que você me ler todos os dias. E quero dizer que te conheço. O meu trem sai segundos após você chegar, sim, meu caminho é o oposto do seu e eu sempre te vejo correr pra o local onde eu deixo meus bilhetes, e queria te agradecer por ler, e não vai dar certo você tentar deixar algum bilhete pra mim, eu só retorno a estação no outro dia e a limpeza já tem sido feita e nada que me deixe eu poderei encontrar na manhã seguinte.
Bom, como te disse no meu bilhete anterior, está tudo tão confuso, tão complicado. Eu ainda vou todos os dias fazer aquele trabalho tosco e que não me causa prazer algum, mas é o que eu tenho. E olha, sabe as moças do café? Elas continuam a me olhar torto, e eu continua a ignorar. Virou automático já, meu caro. Chegar, ligar meu computador, pegar o café e voltar a rotina, a rotina de olhar fixamente cada letra, cada detalhe até o horário de ir pra casa. E então chego depois de uma carona, tomo banho, como e desabo na cama em meio as séries ou aos livros, mas eu ando achando meus livros mais solitários que nunca. Sai há duas semanas, comprei um cardigan preto, achei que ele combinaria com meu coque alto já que só posso usar assim desde que ferrei meus cabelos jogando tinta azul sereia, não é que não é legal, é que eu não soube fazer mesmo. 
Estou te escrevendo aqui e por hoje chega, amanhã, se der, te deixo mais um bilhete. As vezes você chega antes de meu trem chegar e sei que você me procuraria, e me convenço que é melhor só ver seu sorriso ao achar meu bilhete... Até amanhã ou até o dia que você chegue só depois que meu trem tenha saído.






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